Da estrada para a mesa: conheça a história e os bastidores do Guia Michelin

24 Apr 2018

Você já se perguntou como o Guia Michelin se tornou a última palavra em gastronomia no mundo? Conheça alguns fatores que determinaram a importância deste guia.

Fonte: EHL Guest Blogger, Blog.ehl.edu

Uma rápida história sobre o Guia Michelin:

O guia foi originalmente concebido pelos irmãos André e Edouard Michelin com o objetivo de vender pneus. Uma primeira edição de 400 páginas foi lançada no ano de 1900 em Paris, com o intuito de convidar os motoristas franceses a dirigirem seus carros pelas estradas e com isso surgir a necessidade de comprar pneus novos. Outros guias de viagem da época só destacavam as viagens de trem e por isso o Guia Michelin apontava diversos lugares onde o trem não passava. Na época foram produzidas 35 mil cópias do guia, oferecidos gratuitamente, e rapidamente tornou-se popular. Logo após, em 1904, a Bélgica ganhou a sua versão, seguida por Espanha e Alemanha.

O guia original tinha como finalidade ser um recurso técnico para motoristas, com mapas rodoviários, lista de todas as cidades da França, distâncias entre as cidades, instruções sobre como trocar um pneu furado, lista de hotéis classificados por preços, endereços de postos de gasolina e recomendações de varejistas de pneu Michelin em todo o país. Os restaurantes tiveram suas inscrições somente em edições posteriores, mas o sistema atual de classificação por estrelas surgiu em 1933.

 

Sistema de classificação por estrelas: 

1 Estrela: um ótimo restaurante em determinada categoria.

2 Estrelas: excelente cozinheiro, vale a visita.

3 Estrelas: excepcional gastronomia, vale uma visita especial.

O perfil de frequentadores dos restaurantes 3 Estrelas Michelin é caracterizado pela sofisticação e exigência, um perfil muito mais qualificado do que o integrante de um clube de carros. Uma coisa é certa: viajar em busca de bons restaurantes tornou-se popular através do Guia Michelin. E assim como o mundo do turismo é globalizado, o guia também se tornou. Atualmente a coleção Guia Michelin contém 26 guias cobrindo 23 cidades em 3 continentes. A primeira versão online surgiu em 2001 e o primeiro guia da região dos Estados Unidos, mais precisamente Nova York, foi lançado em 2005. A versão brasileira surgiu em 2015, quando o guia englobou as cidades São Paulo e Rio de Janeiro.

 

Como entrar no Guia Michelin?

Os inspetores do guia, que são rigorosamente selecionados e treinados, frequentam restaurantes anonimamente e os classificam. Todas as despesas são pagas pela organização Michelin.

André Michelin começou a cobrar pela venda do guia em 1926, não aceitando mais propaganda de hotéis ou outros estabelecimentos turísticos, e isso se mantém até os dias atuais. De acordo com a Michelin, para permanecerem 100% anônimos, os inspetores nunca tomam notas durante o jantar e aplicam cinco critérios ao classificar um restaurante. O estabelecimento será visitado diversas vezes pelo inspetor antes de ser publicado no guia.

Os critérios são:

1. Qualidade do produto; 

2. Preparações e sabores; 

3. A personalidade do chef é revelada através dos seus pratos?

4. Valor pelo dinheiro;

5. Consistência todo o tempo e por todo o menu.

Se existe um conceito de sigilo em torno do guia, ele é consequência dos seus inspetores, considerados famosamente anônimos. Eles não podem falar com a imprensa, revelar sua identidade e não são encorajados a confidenciar sua profissão nem para a própria família.

Embora os próprios inspetores permaneçam camuflados em mistério, o processo seguido na classificação dos restaurantes é muito transparente: a cada ano o inspetor receberá uma região diferente que ele cobrirá por vários meses. Em média os inspetores viajam 30.000 km por ano, visitando 250 restaurantes e 160 hotéis. Eles viajam pelas estradas por 3 semanas, retornando ao escritório da Michelin na quarta semana para revelar suas descobertas. Quando surge disputa, os restaurantes são revisitados. O guia é então compilado com comentários, mapas atualizados e informações, e no momento em que ele é abastecido nas prateleiras, indica o momento que os inspetores precisam voltar à estrada visitando mais restaurantes e hotéis.

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Curtir
Please reload

Destaques

Pós-venda: o retorno do cliente pode ser uma oportunidade de ouro.

01.06.2017

1/1
Please reload

Recentes