O que os varejistas devem fazer para acompanhar a velocidade da Geração Z?

As duas gerações mais jovens não têm necessariamente as mesmas características, porém elas têm muito em comum: uma preferência pela Amazon, Nike e mídias sociais.

Fonte: Cara Salpini, RetailDive

Se o varejo estivesse dentro de um jogo de dardos, acertar a Geração Z seria o maior desafio. Não por ser a geração com o maior poder aquisitivo ou situação profissional mais estável, mas sim por uma variedade de fatores que os tornam um bom investimento para as marcas. Combinada com a Geração Millenial, os dois grupos mais jovens estão prontos para compor cerca de 70% da população mundial até 2028, de acordo com o relatório da Cowen. Neste grupo, 70% dos consumidores são adeptos do cenário digital, valorizam o preço ao tomar uma decisão de compra e são consumidores assíduos da Amazon.

As novas gerações carregam uma forte arma: os smartphones. Esse dispositivo garante não apenas que as gerações sejam mais informadas do que suas antecessoras, mas também que tenham acesso aos sites como a Amazon, que fornecem todas as informações necessárias sobre um produto, de maneira direta e simples.

Mas por que a Amazon é a favorita?

Atualmente a Amazon não mostra sinais de diminuição da sua influência nas gerações mais jovens. Isso pode ser desanimador para o restante do setor varejista, porque a gigante do comércio eletrônico é imensamente popular entre os jovens e também os mais velhos. Segundo o relatório da Cowen, 90% dos consumidores com idade entre 18 e 54 anos disseram que a Amazon é seu canal favorito de compras. 

As razões para o sucesso da Amazon são claras. Primeiro, existe a possibilidade de verificação de preços online e assim os compradores têm subsídios para garantir o melhor negócio. Depois, há o “efeito Amazon”, causado pelo constante esforço da marca em se reinventar e melhorar, o que coloca os outros varejistas em uma situação desafiadora.

Parte da estratégia de sucesso vem certamente do Programa Amazon Prime, que oferece aos clientes uma série de benefícios em troca da sua assinatura anual. O principal deles é o frete grátis, uma forte ferramenta de aquisição que convence 88% dos compradores a optarem pela marca. Outra conveniência da plataforma é a riqueza de informações dispostas no site da Amazon, um grande diferencial para os consumidores jovens que dependem do telefone para pesquisar durante as compras nas lojas físicas.

A Amazon tem a última palavra na decisão de compra: para os jovens entre 18 e 24 anos, 30% verificam a marca antes de comprar online e 25% fazem o mesmo quando estão numa loja física. Já no público entre 25 e 34 anos, 34% consulta a Amazon antes de comprar online e 25% checam quando estão em uma loja física.

 

Varejistas bem posicionados para o sucesso:

A Amazon pode ser o astro neste segmento, mas existem vários outros varejistas relevantes no mercado. Os clientes valorizam cada vez mais o preço, com 58% da Geração Millennial classificando-o como a característica mais importante ao comprar roupas, acessórios ou calçados. Com muitos consumidores interessados em valor, outros varejistas estão se destacando: Burlington Stores, TJX Co., Ross Stores, Walmart e Costco. De fato, metade dos jovens entre 18 e 35 anos disseram que migraram para um varejista de preços baixos no último mês.

As lojas de departamento estão se reinventando para combater os desafios do mercado. De acordo com Ray Hartjen, Diretor de Marketing de Conteúdo e Relações Públicas da RetailNext, o sucesso das lojas de departamento será baseado mais em inovação do que qualquer outra coisa: “Lojas de departamento como a Nordstrom estão tentando coisas novas e deveriam ser recompensadas por isso. Você não pode manter o mesmo modelo de loja de departamento de 1975 e tê-lo funcionando até 2025.”

No setor de vestuário, marcas como Nike, Adidas, Calvin Klein e Michael Kors estão à frente dos concorrentes quando se trata de compradores das Gerações Millennial e Z. A Nike está liderando a categoria vestuário casual e estilo de vida, com a Adidas e a Under Armour alcançando apenas 30% do público da marca. As gerações jovens estão intimamente ligadas à velocidade de expansão das marcas.

A H&M foi destaque no segmento vestuário de moda entre os compradores de 18 a 35 anos. Calvin Klein e Michael Kors vieram logo atrás, indicando que os varejistas com coleção fast fashion se relacionam bem com as gerações jovens. “Eles estão procurando produtos de alta qualidade que possam obter rapidamente”, disse Angie Read, co-autora de “Marketing to Gen Z”. Ela afirma: “Uma das razões pelas quais sabemos  que os compradores da Geração Z entram em uma loja física é porque eles podem experimentar o produto, vê-lo ao vivo, ter certeza que tem inventário e que podem sair com ele imediatamente, e é esse imediatismo que estão procurando.

 

O comércio das mídias sociais:

O comércio através de mídias sociais ainda está na fase inicial, mas é quase impossível falar sobre compradores jovens sem citar as redes sociais. Como é de se esperar, as plataformas sociais são mais populares entre as gerações jovens, que compram e descobrem marcas pelas mídias sociais muito mais facilmente do que as Gerações X e Baby Boomers. Nas plataformas como Facebook e Instagram, as gerações jovens estão 20% mais presentes seguindo marcas e comprando do que os usuários com mais de 35 anos. 35% da Geração Millennial comprou um produto ou serviço de uma marca que descobriu nas redes sociais, e o comércio mobile cresceu de 4% do total do comércio digital em 2010, para 23% em 2017.

 “À medida que as populações envelhecem, é necessário acompanhar a velocidade das mudanças.”, disse Hartjen sobre o comércio das mídias sociais. “O comércio mobile pode ser pequeno agora, mas só vai aumentar com o passar dos anos.”

O Instagram é a única plataforma social onde acontece mais compras no site da marca que foi descoberta do que na Amazon. Isso é um bom presságio para a maioria dos profissionais de Marketing, já que quase 70% das marcas usam influenciadores do Instagram para promover seus produtos ou serviços. Um passo em falso nessa frente pode ser mais do que apenas caro, pode ser fatal. Se os jovens consumidores não gostarem do que estão vendo, eles não vão esperar o varejista se adequar: eles irão comprar diretamente da Amazon.

 

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