Saiba como as marcas de luxo estão explorando a arte para atrair consumidores

25 Oct 2017

Marcas de luxo estão frequentemente envolvidas no mundo da arte, patrocinando artistas ou hospedando exposições. Mas o que está direcionando esse interesse?

Fonte: Neil Koenig, bbc.com

Se você tivesse frequentado o Palazzo della Civilta Italiana, em Roma, no início deste ano, você seria perdoado por pensar que estava numa galeria de arte. Por muitos meses, o piso térreo do prédio foi palco de uma exibição dos trabalhos do artista italiano Giuseppe Penone. Mas o Palazzo não é uma galeria de arte: desde 2015 é a sede da marca de moda Fendi. E a Fendi não é a única marca de luxo que promove artistas e iniciativas culturais.

A relojoaria suíça de luxo, Audemars Piguet, apoiou uma série de artistas nos últimos anos e também gerencia a Annual Audemars Piguet Art Commission, um importante evento anual de arte.

A Rolls-Royce também apoia um programa de arte, e a LVMH, empresa-mãe da Fendi, criou a Fundação Louis Vuitton, em Paris, no ano 2014. O Grupo LVMH diz que “o movimento cultural simboliza o apoio do grupo à arte, cultura e patrimônio que está sendo amparado há 25 anos.”

Por que empresas deste porte estão tão envolvidas em atividades culturais? Isso é puramente filantrópico ou existem interesses comerciais? “Na verdade isto acontece pelos dois motivos e muitos outros benefícios”, dizem os diretores das marcas de luxo e os analistas do mercado.

“Neste tipo de segmento você não está vendendo metal, você está vendendo sonhos”, comenta Torsten Muller-Otvos, diretor executivo da Rolls-Royce Motors Cars. No mundo de alto luxo, “você também precisa criar um certo romantismo ou uma atmosfera romântica em volta da marca”, diz ele. Uma maneira de fazer isso é colaborar com artistas, diz o Sr. Muller-Otvos.

O Rolls Royce Art Programme, fundado há muitos anos, inclui uma série de eventos e comissões de novos trabalhos. Alguns artistas que já participaram foram Yang Fudong, Jose Parla, Sudarshan Shetty, Angela Bulloch e Isaac Julien. Para o Sr. Mueller-Otvos, esta atividade oferece benefícios que vão além da imagem da marca. Esta ação ajudou a aprofundar o relacionamento com clientes existentes, incluindo muitos colecionadores de arte, e também se revelou uma maneira de adquirir novos consumidores que, de outra forma, não conseguiriam alcançar.

Otvos também vê vantagens relacionadas a produção: os carros altamente personalizados que a Rolls-Royce faz requerem que a empresa empregue artesãos altamente qualificados. Os artistas envolvidos com o programa cultural da Rolls-Royce visitam frequentemente a sede da empresa em Goodwood (Sussex) e passam muito tempo trocando ideias e conhecimento com os funcionários da marca. É uma relação mutuamente benéfica.

O que motiva os artistas a fazerem colaborações como essas? Estão eles preocupados que a sua criatividade pode ser comprometida por interesses comerciais? A resposta é que eles conseguem ver benefícios em muitas ações lideradas pelas empresas. 

A Fendi financia projetos como a restauração da Fontana Di Trevi (Roma) e apoia artistas como Giuseppe Penone. O diretor executivo da Fendi, Pietro Beccari, diz que iniciativas como essa podem ajudar no posicionamento da marca e aproximá-la da cidade, que é considerada uma das cidades mais bonitas do mundo e símbolo da Dolce Vita – uma vida cheia de prazer e compaixão – que é um estilo que a Fendi gosta de promover.

Isto significa que a publicidade tradicional perdeu sua significância? “Não”, diz o Sr. Beccari, “mas hoje as marcas de luxo precisam explorar diversos métodos para transmitir suas mensagens, como um diamante que tem várias facetas e todas contam um lado diferente da história.”

Peter York, hoje coach de muitas empresas de luxo, diz que as marcas neste setor têm poucas estratégias para seguirem e acabam se inspirando nas estratégias da Fendi, Rolls-Royce e outras. Ele diz que quanto mais a sua marca é vendida em shoppings de luxo na China, maior será sua preocupação em tranquilizar as pessoas de que você é real e que está associado à empreendedores de alto nível. Mas existe um perigo, alerta York: "Iniciar colaboração com artistas ou apoiar outros eventos culturais deve ser abordado com o mesmo cuidado e planejamento que é dado a um novo produto”.

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Curtir
Please reload

Destaques

Pós-venda: o retorno do cliente pode ser uma oportunidade de ouro.

01.06.2017

1/1
Please reload

Recentes