Os riscos enfrentados pelos grandes grupos de luxo

17 Aug 2018

Os grupos de luxo mais importantes estão sofrendo crescimento constante de receita e valorização ao redor do mundo. Eles parecem estar imunes à economia incerta e aceleram como em filmes de ação. Mesmo que estejam lucrando, atenção: nem tudo que reluz é ouro e nenhuma entidade de luxo está livre de riscos.

Fonte: Susanna Nicoletti, LuxurySociety

Grupo Kering: não coloque todos os esforços no mesmo lugar

Os resultados incríveis do Grupo Kering nos últimos dois anos foram impulsionados pelo crescimento inesperado e agressivo da marca líder do grupo, a Gucci.

A dupla Bizzarri-Michele transformou a Gucci em uma marca de alta visibilidade e grandes receitas. Os resultados de curto prazo foram celebrados pela imprensa e pelos investidores, mas estes ultimamente começaram a esfriar as emoções.

Em sinergia com a Reuters, os analistas do Berenberg afirmaram: “Apesar do impressionante desempenho no primeiro semestre de 2018, com lucro operacional e fluxo de caixa aumentando em 53% e 65% respectivamente ano sobre ano, alguns pequenos erros estratégicos da marca chamaram muito a atenção.”

Muitos questionamentos e desafios estão surgindo no Grupo Kering:

“O estilo de Alessandro Michele continuará sendo atraente para as novas gerações de clientes chineses? Ele será capaz de evoluir a marca? Gucci atingiu a saturação?

É suficiente focar no crescimento de receita da China? A Balenciaga tem potencial para acelerar o crescimento ou já atingiu seu máximo sob a direção criativa de Demna Gvasalia? A Gucci irá sofrer uma desaceleração súbita como aconteceu recentemente com a marca Bottega Veneta? O crescimento da Gucci absorveu toda a energia do Grupo Kering?”

 

Grupo LVMH: aprenda com o passado, viva o presente e tenha esperanças para o futuro

O grupo mais cauteloso e tradicional, fundado por Bernard Arnault, fez uma aposta muito interessante em sua principal marca, a Louis Vuitton. A maison francesa nomeou recentemente Virgil Abloh como responsável pela coleção masculina e Francesca Amfitheatrof para joias e relógios. Os resultados dos seus trabalhos serão apreciados somente em 2019, mas no momento a marca está performando muito bem e de acordo com as expectativas.

Os desenvolvimentos mais interessantes estão sendo esperados em outras marcas do grupo LVMH. Hedi Slimane mostrará a sua primeira coleção na marca Céline em setembro deste ano. A dúvida é: “será que ela conseguirá evoluir a marca para outro nível apoiada no seu gosto pessoal ou ela irá apenas adaptar os produtos de acordo com o conceito existente?”

Na Givenchy, a dúvida também aparece em relação à estilista britânica amada por estrelas e membros da realeza: Claire Weight-Keller. Estará capaz de injetar na marca um poderoso crescimento de receita?

A beleza estável da Loro Piana será capaz de acompanhar o ritmo de crescimento de concorrentes como Brunello Cucinelli?

Por outro lado, a Rimowa é um exemplo muito interessante de atualização de marca em pouco tempo, sem explorar o DNA.

 

Grupo Richemont: o gigante com visão clara

O grupo suíço está enfrentando o maior desafio de todos: o recomeço de muitas marcas e a atualização da mentalidade do grupo. Marcas como a Panerai precisam encontrar nova energia e espírito, evoluindo de uma marca de nicho e estabelecida para um cenário entusiasmado e aberto. A Montblanc pode desenvolver ainda mais sua categoria de couro e acessórios atraindo um público internacional e menos conservador. A Dunhill ainda é um grande potencial inexplorado.

Espera-se que a integração Yoox-NAP apresente um novo ânimo no prestigiado grupo que foi tão ousado no passado: lançaram o Salon International d’Haute Horlogerie, o encontro de luxo mais interessante do mundo.

O grupo Richemont uniu arte e indústria na Fondation Cartier no passado. Está na hora de voltar às raízes inovadoras, arrojadas e tradicionais.

A indústria do luxo está enfrentando muitos desafios disfarçados, apesar do crescimento dos negócios. Não existe uma fórmula mágica para conduzir com sucesso esses grupos, mas um ingrediente não pode ser esquecido: o aperfeiçoamento diário.

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Curtir
Please reload

Destaques

Pós-venda: o retorno do cliente pode ser uma oportunidade de ouro.

01.06.2017

1/1
Please reload

Recentes