Sem crise: o mercado de luxo estima alta ainda maior até 2023

16 Oct 2019

 

A perspectiva é de que o segmento de luxo deve crescer mais de 20% no Brasil, ultrapassando o México, e tornando a ser o maior mercado da América Latina.

 

Contrastando com o baixo crescimento da economia – e até mesmo com a decadência da renda no Brasil – o mercado dos produtos de luxo cresceu mais de 18% entre 2013 e 2018, segundo dados da Euromonitor.

 

Pelo grande feito de não se deixarem afetar por uma das maiores crises na América Latina, as empresas do segmento de luxo têm a visão de que os próximos cinco anos sejam ainda melhores. O grupo LuxuryLab divulgou um estudo que mostra que a projeção de crescimento do mercado de luxo brasileiro é de 20% até 2023, com aproximadamente 4% ao ano. Se prosseguirmos nesse ritmo, em 2021 o Brasil já terá ultrapassado o México e por sua vez alcançado o posto de maior mercado de luxo da América Latina. Para isso, é extremamente importante a contribuição das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte que estão entre as 10 maiores cidades da América Latina. O estudo foi divulgado pela primeira vez na edição do fórum LuxuryLab que ocorreu no dia 30 de setembro, em São Paulo.

 

O fundador do LuxuryLab Global, Abelardo Marcondes, disse que o mercado de luxo apesar de crescer em um ritmo lento nos últimos anos, é menos suscetível à crise e que estudos como esse são de extrema relevância para aumentar a confiança de marcas que estão ou que desejam investir no Brasil.

 

Com alta de 36,8% durante a crise, o setor automotivo foi um dos mais importantes com faturamento de R$ 14,1 bilhões em 2018. Porem com a tendência de “ser” e não “ter”, a perspectiva é que o próximo grande protagonista seja o setor de luxo de experiência, (que inclui alimentação e turismo/hotelaria) com o aumento esperado de 48,2% até 2023.

 

A tendência “ser” substitui o consumo de produtos duráveis de luxo por serviços e produtos que ofereçam alguma experiência, mesmo que momentânea. Nessa onda, o turismo de bem-estar é o que mais tem ganhado destaque apresentando academias, spas, e outros serviços de saúde. Outro setor que promete crescimento destacado é o de bebidas de luxo com aumento projetado de 19,5% no Brasil.

 

Com essa mudança de comportamento do consumidor de luxo, grandes marcas e grupos estão investindo em hotéis de luxo, como a LVMH e a Osklen.

 

A saúde e a educação são os primeiros contatos que o indivíduo tem com o luxo, pois existe o investimento em procedimentos médicos e serviços educacionais de melhor qualidade para as crianças que já nascem em berço de ouro. Para esses setores, há a projeção de crescimento de 10% a 16% no Brasil, variando entre as cidades de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.

 

Com a volta do crescimento econômico, a classe média urbana – aqueles que possuem renda entre R$ 8 mil e R$ 15 mil reais – devem retomar seus gastos tornando-se a maior aposta do setor para alavancar as vendas.

 

Um problema que já vem de longa data e ainda não apresentou melhoria, é a grande desigualdade social na América Latina. Isso limita a expansão das lojas de luxo, deixando-as restritas a alguns bairros específicos. Essa desigualdade também é notada em dados de pesquisas que apontam que no Brasil, uma criança nascida pobre leva em média 9 gerações para atingir o topo da pirâmide econômica, isso quando conseguem atingi-lo.

 

As marcas de luxo nacionais e até mesmo as importadas são uma grande forma de geração de emprego e renda no Brasil. Como exemplo, podemos citar a marca nacional de chocolates Dengo, que oferece remuneração acima da média do mercado para os produtores de cacau de alta qualidade da Bahia.

 

Questões como desigualdade social, sustentabilidade e diversidade ganharão maior notoriedade com a crise econômica. Isso impactou na forma de consumo, que antes apresentava a cultura de esbanjar e exibir as aquisições luxuosas. Segundo Abelardo Marcondes, agora há uma maior percepção das marcas sobre as desigualdades na América Latina.

 

(adaptado de: portal Exame, publicado em 29 de setembro de 2019.)

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