História das marcas: Gucci

29 Aug 2019

 Na pitoresca e charmosa Florença, Guccio Gucci trabalhava como maitre no conceituado hotel Savoy. Com pouco poder aquisitivo, e vindo de família humilde composta por artesãos, para fundar a luxuosa marca Gucci que permanece em alta, Guccio Gucci precisou utilizar todo o seu rendimento e economias que conseguiu ao deixar seu emprego no hotel.

 Assim como outras marcas de luxo, a Maison Gucci iniciou a produção artesanal de peças de couro pelas mãos da própria família. Não demorou para que a loja ganhasse notoriedade entre a nobreza e a alta burguesia. Com o sucesso veio junto o retorno financeiro, possibilitando assim a construção de uma oficina nos fundos da loja, já que antes a produção ficava na região de Toscana.

 

Os anos foram passando, Guccio Gucci construiu família, teve filhos e prosseguiu seus negócios. Entre 1937 e 1938, duas novas lojas foram abertas em Lugano e Roma, sendo essa última muito aclamada devido sua localização. Os filhos cresceram e tornaram-se parte do negócio da família Gucci. Lançando tendências e peças icônicas no decorrer dos anos, destacou-se a bolsa com alça de bambu, item de desejo ainda atualmente. A última loja aberta por Guccio Gucci foi a de Milão, em 1951.

 

Logo após, em 1953, Guccio veio a falecer deixando completamente o legado para seus filhos que prosseguiram com a expansão e no mesmo ano abriram uma loja em Nova York, tornando a marca mais conhecida entre as celebridades americanas, o que contribuiu mais ainda para o sucesso da Maison.

 

Como forma de homenagem ao fundador Guccio Gucci, em 1960 criaram o design do logo que consagra a identidade da marca: duas letras G em sentidos opostos.

 

Quem se tornou CEO da marca a partir de 1953 até 1986, foi o filho mais velho Aldo Gucci. Sendo responsável pelo maior período de expansão da marca, lojas foram abertas em Londres, Tóquio, Hong Kong, Paris e Chicago no período de 1967 a 1971. Aldo também lançou a primeira linha de perfumes da marca. Deixou a empresa após muitas desavenças pessoais e profissionais entre os familiares.

 

Após esse período, uma empresa de investimentos árabes comprou 50% das ações da Gucci, com Domenico De Sole sendo o principal responsável pela reestruturação da marca. Nomeou seu amigo Tom Ford para diretor de criações, trazendo assim um toque mais moderno e sensual as peças, relançando itens icônicos, e substituindo celebridades que faziam a propaganda da marca, incluindo uma parceria com a cantora contemporânea Madonna.

 

Em 2004, Domenico e Tom Ford deixaram a empresa. Frida Gianinni tornou-se a nova diretora de criações e permaneceu até 2015, sendo substituída após um longo período de estagnação da marca. Seu sucessor é o Alessandro Michele.

Atualmente a marca faz parte do grupo Kering, um conglomerado de marcas de luxo da moda controladas pelo francês bilionário François Pineault.

 

O novo diretor de criações

Em janeiro de 2015 a marca foi repaginada e ganhou um visual jovem após a promoção do designer Alessandro Michele para o cargo de diretor de criações.

 O estilista que estudou na Accademia di costume e di Moda em Milão, começou a carreira como designer de acessórios na Fendi e desde 2002 fazia parte do grupo de criação da antiga diretora Frida Giannini, e em setembro de 2014 tornou-se diretor criativo da submarca de porcelanas da Gucci, Richard Ginori.  

 

Com a promoção para diretor de criações da Gucci, trouxe para as peças e artigos influências de décadas passadas, principalmente a de 70, estampas geométricas, superfícies metalizadas, cores da estética vintage, e questões consideradas polemicas como a quebra do tabu da liberdade de escolha e igualdade de gênero.

 Ele constrói cada coleção como se fosse um filme, designando personalidades aos modelos da passarela e cuidando minuciosamente de toda a caracterização para que transmitam a mensagem de pessoas reais.

 

Reconhecido mundialmente no mundo da moda, o italiano ganhou dois dos maiores prêmios do segmento: Designer Internacional do Ano do British Fashion Award e Council of Fashion Designers of America (CFDA).

 

Lojas e finanças

Atualmente tem cerca de 45 lojas próprias pelo mundo, além de franquias e lojas de departamento de luxo. Na América do Sul, os únicos países que possuem loja física é o Brasil e o Chile, sendo no brasil oito lojas: quatro em São Paulo (sendo uma de departamento outlet), uma no Rio de Janeiro, uma em Curitiba, uma em Recife e outra em Brasília.

 O atual CEO da marca é Marco Bizzarri, com aproximada 2400 funcionários no total.  Ocupando a posição de terceira marca de luxo mais valiosa do mundo, é avaliada em 12,5 bilhões de dólares.

 

Recentemente abriram um call center de luxo em Florença, visando oferecer atendimento personalizado e consultoria de estilo em tempo integral a seus clientes (principalmente os millennials) através de telefone, chat e e-mail. Os assistentes são altamente treinados e incentivados a construir e manter relacionamentos pessoais com seus clientes, assim como nas lojas físicas.

 

Possui planos de expandir as unidades do call center por Nova York, Tóquio, Seul, Xangai e Cingapura até 2020.

 

10 fatos curiosos envolvendo a Gucci

  • Em 1925 lançaram a tendência das malas de viagens feitas com couro maleável, que virou febre entre os clientes da marca na época

  • Em 1932 veio outro lançamento icônico: os mocassins Gucci que são objetos de desejo até os dias de hoje

  • O primeiro cinto com a famosa fivela que traz o logo da Maison surgiu em 1964

  • Aldo Gucci se envolveu em um milionário escândalo de fraude fiscal em meados de 1980, que resultou em um período de estagnação e retrocesso criativo da marca

  • Maurizzio Gucci foi o último membro da família que restou na empresa, mas foi assassinado em 1995 em frente ao escritório da Maison em Milão, a mando de sua esposa, Patrizia Peggia que foi condenada a 26 anos de prisão

  • Em 2010, foi lançado a primeira linha infantil da marca com peças femininas, masculinas e artigos de couro

  • O cantor e grafiteiro Trevor Andrew, conhecido como Gucci Ghost, foi convidado por Alessandro Michele para colaborar em uma coleção de 80 peças de outono, onde teve a liberdade de alterar o próprio logo da marca, ação que gerou espanto no mercado já que não é um hábito comum e que poderia até mesmo render processos judiciais

  • O maior pedido que a marca já recebeu foi feito pelo sultão de Brunei, sendo 27 jogos de malas feitos em couro de crocodilo que custaram 2,4 milhões de dólares no total

  • Há relatos de ex-funcionários e outras testemunhas sobre brigas frequentes entre a família durante as reuniões de negócio, envolvendo gritos, palavrões e até cinzeiros sendo arremessados contra a parede

  • Em 7 de fevereiro de 2019, a marca retirou de todas as lojas um suéter que recebeu muitas críticas e acusação de racismo. A peça era um suéter preto com gola alta que subia até a altura do nariz, e ao redor da boca havia um recorte simulando lábios vermelhos. Muitos associaram a peça à prática do “blackface” e à um personagem de um livro infantil tido como o mais racista da história, chamado “As aventuras do pequeno Sambo Negro”

 

Fontes: Gucci Oficial; Forbes; Etiqueta Única, Shopping Iguatemi; blog Curiosidades de Hoy; Fashion Network; Vogue.

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