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O que a Semana de Moda de Nova York diz sobre a situação da indústria da Moda


Em muitos aspectos, a última Semana de Moda de Nova York falou sobre o deslocamento. Designers estão partindo para outras cidades, mas estão perdidos com os próximos passos para seguir com os seus negócios.

Fonte: Lauren Sherman, Businessoffashion.com

Em muitos aspectos, a última Semana de Moda de Nova York falou sobre o deslocamento. Designers estão partindo para outras cidades, mas estão perdidos com os próximos passos para seguir com os seus negócios. As lojas de departamento continuam se esforçando, mas a venda direta ao consumidor é uma tarefa cara e complicada.

Ainda existem muitas turbulências fora do mundo da moda que impactam as passarelas. A postura chocante do Presidente Trump, trazendo uma nova política extremista, com observações insensíveis e ameaças estrangeiras tomam conta das manchetes todas as manhãs. E também os desastres naturais, que estão deslocando as pessoas em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos. Nas últimas semanas houveram três furacões significativos e um terremoto na América do Norte.

Não é de se estranhar que agora, mais do que nunca, exista uma indagação de “Por que tudo isso?” dentro do mundo fashion. Muitos estilistas estão procurando demonstrar esse sentimento nas suas apresentações: estão empilhando tudo em camadas, criando fortalezas de proteção. No desfile de Tory Burch e Calvin Klein, as modelos carregaram cobertores ao invés de sacolas.

No desfile da Coach, o estilista Stuart Vevers utilizou o romantismo do Oeste, desta vez despejando brilhos, em uma fantasia de algo que poderia ter acontecido mas nunca ocorreu. Ralph Lauren permaneceu nostálgico num passado idealizado para o país. Na Calvin Klein, Raf Simons, com seus vestidos de couro e pompons, mostrou a América como um filme de terror que está por vir.

As marcas mais jovens, como a Monse, Public School e Adam Selman, promoveram intencionalmente a América, e muitas vezes, a cidade de Nova York. “América não é uma palavra ruim no momento” – disse o estilista Adam Selman. “Nova York precisa mostrar sua força”, disse o estilista Jason Wu.

Durante anos a indústria vem tentando descobrir como modernizar os desfiles de moda para transformar isso em um investimento que valha a pena para aqueles que frequentam, e também para aqueles que agora podem acompanhar tudo de imediato, mesmo que estando longe. L´Wren Scott foi um dos primeiros na era moderna a receber o público em eventos íntimos, onde as coleções são exibidas em encontros menores como almoços, ao invés de grandes passarelas.

Nesta temporada, a estilista Rachel Comey, que se apresentou primeiro – e fora do calendário – fez isto da melhor forma, em um jantar no Museu Met Breuer. O público, muitos conectados pessoalmente com a estilista e com a sua marca, queria estar presente. O mesmo aconteceu na Cerimônia de Abertura em um moderno teatro de dança, idealizada pela parceria entre os CO´s Humberto Leon e Carol Lim com seu amigo de longa data e parceiro criativo Spike Jonze. A marca Row fez um café da manhã no Carlyle, fazendo as pessoas sentirem que valia a pena estar ali. E não houveram reclamações sobre visitar Bushwick para se sentir fascinado pela marca Eckhaus Latta.

A pergunta é: como tudo isso é sustentável? O retorno sobre o investimento é tão bom quanto as marcas esperam que seja?

Assim como a mídia digital faz com que, nos dias de hoje, as pessoas dificilmente escutem um álbum de música do início ao fim, o mesmo acontece com uma sucessão de desfiles, quando pode-se visualizar online, na ordem em que desejar e de qualquer lugar. O que isso significa para o futuro da moda é a difícil afirmar, assim como é difícil apontar quais destas marcas sobreviverão à grande intromissão do varejo.

Nesta temporada, os desfiles em Nova York destacarão que não existe lugar comum quando se trata de fashion, realidade essa que irá prevalecer por um bom tempo.

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