• Malu Albertotti

Os desafios do varejo frente ao COVID-19



Lojas fechadas e distanciamento social são apenas o início do problema. A pandemia do COVID-19 transformou o que eram perspectivas de desaceleração econômica em uma possível crise.


Mark Lewis, CEO da Netalico Commerce, disse em entrevista para o Luxury Daily que o maior problema atual do o varejo de luxo é o fato de que a maioria das compras advém das lojas físicas, e o distanciamento social instruído pelos governos e órgãos da saúde mundial afasta os consumidores, deixando os shoppings desertos e as lojas vazias. Segundo ele, até o momento não há grandes movimentações das marcas de luxo no mundo online, mas acredita-se que se a pandemia persistir por um longo tempo, não demorará para que haja mudanças nesse cenário. Rania V. Sedhom, sócia do Sedhom Law Group, acredita que nesse ponto os varejistas que já tinham comercio online acabam se sobressaindo com vantagem sobre concorrentes que trabalhavam exclusivamente as lojas físicas.


Devido à interrupção da produção chinesa, a Federação Nacional de Varejo constatou que as importações caíram 18% comparadas ao mesmo período do ano passado e isso é alarmante. Existem estoques com excesso de produtos por falta de compradores, e estoques com falta de produtos por não poderem ser reabastecidos. A perspectiva para abril não é positiva ainda, espera-se uma queda de mais 3,5% nas importações.


Além da queda da economia, também existe a preocupação quanto a disseminação do vírus através de produtos que não sejam manuseados corretamente, já que o vírus sobrevive em superfícies por um tempo. Seria interessante - e poderia até mesmo tornar-se uma estratégia de marketing – que os varejistas divulgassem os cuidados e práticas que estão adotando para evitar o contágio dos produtos, demonstrando como estão sendo manuseados, quais as medidas de higiene que foram adotadas etc.


Destacar como a empresa está cuidando de seu bem mais precioso – o colaborador – também é uma boa ideia: como estão as condições de trabalho? Como eles estão sendo instruídos? O home office está sendo aplicado nas funções plausíveis? O ambiente dispõe de materiais necessários para a higiene pessoal e manuseio correto dos produtos? Essas e outras questões precisam mais do que nunca ser comunicadas aos clientes, seja através de postagens em redes sociais, e-mails, mensagens no Whatsapp ou outros meios que a criatividade permitir.


Uma pergunta que permanece sem resposta é “quanto tempo isso vai durar?”.


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