• Malu Albertotti

A ascensão do luxo no Vietnã e o perfil de seus consumidores


Tran Thi Hoai Anh, mais conhecida como Tran Anh, é dona de lojas de departamento de luxo em duas grandes cidades do Vietnã, Hanói – capital – e Ho Chi Minh. Sendo responsável por introduzir marcas icônicas no país, como por exemplo Balenciaga.


Em entrevista para o portal de notícias Business of Fashion, Tran Anh disse que a nova geração de ricos do país é motivada pela busca de qualidade, diferenciação e tradição em savoir-faire. Esse cenário demonstra a mudança que o país passou, se considerarmos que há menos de 30 anos, o Vietnã estava entre os países mais pobres do mundo. No terceiro trimestre de 2019, o PIB aumentou para 7,31%, considerando-se o último levantamento realizado em 2018, elevando-o para a lista das economias que mais crescem no mundo.


Segundo o Vietnam News, um dos principais jornais do país que circula desde 1991, atualmente a indústria da moda no país gera uma receita de US$ 2,5 trilhões e a projeção é que esse número dobre na próxima década. O país contém uma das populações mais jovens e bem instruídas da Ásia, que somado ao veloz crescimento da classe média e da urbanização, resulta nos ingredientes necessários para o desenvolvimento do mercado de luxo. A questão da instrução dos jovens é um ponto interessante pois segundo Tran Anh, a geração é formada por filhos de pais ricos que foram enviados para estudar no exterior e agora estão voltando para o país já em sua maioridade, assumindo suas finanças.


As marcas de luxo seguem focadas em compradores asiáticos de mercados muito maiores, como China e Japão, mas já há indícios de interesse no país, sendo ainda necessário muito estudo e pesquisas aprofundadas sobre o comportamento do consumidor vietnamita antes de investir alto em negócios no país.


Não é segredo que a política de um país influencia seu consumo de luxo, e apesar do Vietnã ser hoje um Estado Comunista de Partido Único, ele já chegou a ser um dos países mais ricos da Ásia antes dos anos 70. A situação mudou após a Guerra, que acabou levando a maioria das famílias ricas para o exterior, sendo que as que ficaram no pais transformaram suas riquezas em ouro e diamantes (justamente para dificultar a identificação da mesma).


Em 1985, o país adotou a política econômica “doi moi” (nova vida) que trouxe a ascensão do setor privado e abertura a investimentos estrangeiros, permitindo que as pessoas voltassem a exibir suas riquezas.


A Semana Internacional de Moda do Vietnã ocorreu em outubro e trouxe convidados VIP’s vestindo trajes e bolsas especiais das emblemáticas Hermès e Dior, dando mais visibilidade ainda ao mercado de luxo.


De acordo com o BCG, até 2030 cerca de 16% da população vietnamita será abastada financeiramente, cenário diferente do visto em 2018 com apenas 5%. Com “população abastada”, a consultoria definiu “pessoas com poder e intenção de compra de bens e serviços premium/luxo”.


Assim como na maioria dos consumidores, a priori, os bens de luxo servem para os consumidores vietnamitas afirmarem seu status social.


Outro fator que pode contribuir com o desenvolvimento do mercado de luxo no Vietnã é a questão das plataformas digitais não sofrerem tanto com a censura quanto sofrem na China, o que além de ampliar a divulgação do mesmo, ainda evita o trabalho das marcas ao focarem em desenvolver aplicativos específicos como foi o caso do Xiaohongshu e WeChat.



Fonte: Texto traduzido e adaptado de Business of Fashion



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